Com palestra de psiquiatra sobre o tema, idosos conheceram os sintomas
do comportamento e o momento de procurar ajuda

22/04/2014

A doença do consumo compulsivo foi o tema tratado no 19º Encontro da Saúde Financeira, promovido ontem à tarde, feriado de Tiradentes, pela ONG Devedores Anônimos e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) de Londrina. Os participantes, todos aposentados, assistiram a palestra com o psiquiatra Paulo Fernando Nicolau sobre o impulso de gastar.

Paulo Nicolau: “Existe um limite entre o simples gastar demais e o consumo doentio”

“O consumo compulsivo é um problema psicopatológico em que a pessoa percebe que está gastando mais do que deveria, mas não sabe como controlar. É um impulso que precede a razão”, explica Nicolau. Os gastadores patológicos, segundo ele, precisam de tratamento que inclui terapia comportamental e medicamentos.

O especialista explicou que existe um limite entre o simples gastar demais e o consumo doentio. “O compulsivo frequentemente compra sem necessidade coisas que acaba nem usando. No caso do idoso, principalmente, pode ser provocado por problemas de autoestima.” Segundo ele, para os consumidores patológicos, o comprar está ligado ao centro do prazer. “É quase como se fosse uma droga.”

De acordo com o presidente estadual do Sindnap, Antonio Dias Lobato, 60% dos aposentados no Brasil estão endividados, principalmente por causa de empréstimos consignados. “Na minha visão, esse tipo de crédito é o vilão das finanças dos aposentados. Só deveria ser usado para fugir do cheque especial e agiotas ou para comprar medicamentos”, alertou.

Não é o que acontece na maioria dos casos. O aposentado é, muitas vezes, a única pessoa com renda comprovada na família e acaba sendo usado por familiares para a contratação de empréstimos. “Já tivemos casos aqui de netos que usaram os nomes dos avós para fazer empréstimo consignado e pagar dívidas de drogas”, conta Lobato.

A aposentada Iolanda da Silva enfrenta situação parecida. Ela contraiu empréstimo para o neto poder comprar uma motocicleta. “Logo depois ele saiu do emprego e, desempregado, não pode pagar as prestações. Eu estou tendo que pagar e ainda restam mais de 30 parcelas”, desabafou. Apesar de não estar endividada por causa de um comportamento compulsivo, ela participou do encontro de ontem para poder se prevenir. “Acho que conhecer o problema ajuda a saber como evitá-lo.”